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As múmias do Senado

O povo está com Dilma. E não com o trio parada dura de Renan, Sarney e Jucá. Ela sabe disso

Do Brasil 247

De repente, bateu nos chamados formadores de opinião um medo de crise institucional no País. Tudo porque a presidente Dilma Rousseff, cansada da chantagem permanente que lhe é imposta pelo Legislativo, decidiu enfrentar as múmias do Senado. Na linguagem popular, pagou pra ver quem pode mais: se ela ou aqueles que tentam intimidá-la. O primeiro a cair foi o senador Romero Jucá (PMDB/RO), que era líder do governo na casa havia 14 anos. Portanto, um parlamentar capaz de servir a qualquer governo, tendo passado por FHC, Lula e Dilma. Nada de coerência. Apenas o jogo miúdo da baixa política e da exploração fisiológica do Estado. De quebra, ela ainda enquadrou Renan Calheiros (PMDB/AL), que pretendia presidir o Senado, e José Sarney (PMDB/AP), que se julga o eterno dono da casa.

Dizem as más línguas que os três já preparam o troco e querem pegar a presidente na próxima esquina. Houve até quem lembrasse o caso do ex-presidente Fernando Collor, que tratou mal o Congresso e acabou impichado – aliás, o próprio Collor, com ar de homem maduro, se prontificou a aconselhar a presidente a não repetir seus erros. Ocorre que Dilma pode e deve ousar mais. O povo brasileiro espera uma mudança de costumes na política e está 100% ao lado dela neste embate – e não do trio parada dura que se julga mais poderoso do que realmente é. Até porque nenhum dos três senadores citados resistiria a investigações mais aprofundadas sobre seu passado e suas práticas atuais. Fora o fato de que Dilma não é Collor. Ele caiu porque não soube dividir. No caso dela, simplesmente não há o que se dividir.

Até agora, a chamada base de apoio no Congresso não se deu conta da mudança nas regras do jogo desde a eleição de Dilma. A transformação começou pelos ministérios e estatais, onde quadros políticos foram substituídos por técnicos, e chega agora à relação entre Executivo e Legislativo. PT, PMDB, PP, PR… todos podem chorar e espernear. O fato é que Dilma não combinou com nenhum líder de qualquer desses partidos que era permitido roubar. E não parece disposta a ceder a nenhum tipo de pressão ou chantagem.

O Congresso pode revidar? Sempre pode. Mas Dilma não tem nenhuma agenda de reformas constitucionais pela frente. E se abrirem CPIs, nada indica que ela será afetada diretamente. Se ainda tentarem travar iniciativas do dia-a-dia, como a aprovação do orçamento, basta lembrar do caso recente dos Estados Unidos, onde o presidente Barack Obama quase teve que fechar hospitais diante da irresponsabilidade dos congressistas. Quando ele explicou ao povo americano quem eram os verdadeiros responsáveis pelo possível caos, os chantagistas do parlamento americano também recuaram.

Há quem diga que Dilma deveria ter medo dos senadores, que são verdadeiras raposas em peles de cordeiro. Nos dias de hoje, talvez eles é que devam ter medo dela. Dilma nasceu na conciliatória Minas Gerais, mas se formou politiciamente no rebelde Rio Grande do Sul. Sua certidão de nascimento é mineira, mas sua alma é gaúcha. E ela ainda é revolucionária.

 

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5 respostas para “As múmias do Senado”

  1. chico viana disse:

    Caro John:
    Segue o meu artigo de sexta.
    Grato pela guarida.

    Chico Viana

    O LIVRE ARBÍTRIO

    Volta e meia o tema do aborto vem à tona, sempre com a passionalidade de uns, a hipocrisia de outros, o preconceito de outros mais, e com a análise racional de nem tantos.

    O Conselho Federal de Medicina é contra o aborto relatado como produto de estupro. Não basta a palavra da mulher, vale o escrito, um frágil boletim de ocorrência policial. Uma exigência pueril e cretina (vide acepção médica da palavra) primeiro porque coonesta a cultura da safadeza dentre os próprios conterrâneos: todo mundo é mentiroso até que se prove o contrário, no caso um documento exarado por um comissário, agente de polícia e até estagiários.

    Ora, meus caros doutores, se alguém quiser burlar esta estapafúrdia exigência, faz como muitos infratores contumazes do trânsito: ultrapassam um sinal vermelho ou trafegam com excesso de velocidade e saem da barreira ou do sinal direto para a delegacia de policia registrar o Boletim de Ocorrência de tentativa de assalto para justificar o delito.

    Sim, porque a exigência do Conselho diz respeito somente ao registro da ocorrência. As providências ulteriores são dispensadas. E mesmo que não fosse, o exame de corpo delito nem sempre, ou quase sempre, não detecta marcas de uma relação sexual não consentida, em especial em mulheres não virgens

    Gostaria de saber, , a quem os médicos pressupostamente idôneos, devem obedecer no que diz respeito a um ato cujo aspecto fundamental, no caso, é mais legal do que ético: à determinação do Governo Federal, através do Ministério da Saúde, ou uma portaria de um Conselho, que esgrime punições aos profissionais que fizerem aborto sem o papel da delegacia, seja ou não procedente, a ocorrência.

    Seria oportuno que, antes de qualquer julgamento precipitado, e fora da razão, que as pessoas tivessem consciência de que dos males do aborto ilegal, o proibido, já que o legal, em boas clínicas e sem risco nenhum, é feito à granel por quem tem condições financeiras.

    O O Ministério da Saúde divulgou informações sobre a mortalidade materna no Brasil em que é constatado que nos últimos 15 anos morreram 2.010 mulheres que abortaram.

    No entanto, estes são apenas os casos em que há passagem pela rede pública. Os clandestinos aumentam em muito a cifra. Ano passado se constatou que uma, em cada 10 mulheres mortas em decorrência de problemas na gestação, sofreu um aborto espontâneo, ou provocado. O aborto é uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil chegando a 10% dos casos, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

    A Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada pelo Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, divulgada em maio do ano, passado, constatou que metade das mulheres que já fizeram um aborto buscou atendimento na rede de saúde em razão de complicações no procedimento.

    Nem levando em conta apenas os dados oficiais que são muito precários, os casos não diminuíram. Na verdade aumentou de 9,2% em 2005 para 10,1% no ano passado.

    Um outro estudo realizado ainda realizado pelo Ipas Brasil, em parceria com o Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério da Saúde, revelou que o número de abortos realizados no Brasil passa de 1 milhão por ano. Mais de 220 mil deles têm como conseqüência, entre várias complicações, infecções graves e perfurações no útero.

    Chega a ser desumano a negação de um aborto a um feto no qual foi detectada a anencefalia, ou seja, a ausência de cérebro, condição absolutamente incompatível com a vida. Acham que a criança deve nascer e padecer algumas horas tentando manter a vida, em um espetáculo doloroso para quem assiste a agonia.

    O aborto, repetimos, é um problema de saúde pública e de decisão pessoal, do livre arbítrio que todo humano tem e pode exercitá-lo como lhe parecer mais correto. Aqueles que tem impedimento de ordem religiosa, se o infringir, responderão pelos seus atos, na forma do que foi determinado nos Livros Sagrados.

    A tendência é mesmo desvincular este ato da religião, afinal o Brasil é um País laico. O nó górdio da questão é se estabelecer em que ponto pode se definir um feto (um embrião ou mesmo um ovo) como uma “pessoa”, com direitos iguais a qualquer ser humano plenamente desenvolvido .

    No início de 2012, um grupo de juristas elaborou um anteprojeto para o novo Código Penal brasileiro em que o aborto se torna legal em outras situações além dos dois casos já permitidos, estupro e risco de vida à mulher As mudanças ainda não foram para votação e serão transformadas em projeto de lei. Apesar de aumentar os casos em que a mulher pode abortar, os juristas decidiram por manter proibida a interrupção voluntária da gravidez sem causa explícita.

    Pela nova lei, serão permitidos abortos quando: quando a mulher sofrer inseminação artificial sem o seu consentimento; quando o feto for anencefálico, ou tiver grave doença de formação que o tornará inviável, caso ainda em análise pelo STF; por escolha da gestante, mas com a confirmação do médico de que a mulher não tem condições mentais de arcar com a gravidez.

    Fora disso, é uma esdrúxula determinação de se proibir o aborto legal, o ilegal, todo mundo tem conhecimento, pode dele se utilizar quando quiser, mas a hipocrisia de muitos o ignoram como uma realidade que ceifa milhares de vidas que poderiam ser poupadas se lhes dessem condições de agir de acordo com suas consciências e crenças.

  2. ludovicensis disse:

    Tweets
    13 Mar Jorge Bastos Moreno ? @RadiodoMoreno
    @zepalhano Não, com Sarney ñ foi briga. Foi equívoco: ele achou que, sendo meu amigo, eu seria também seu capacho.
    Retweeted by am-ludovicensis

    16 Mar Jorge Bastos Moreno ? @RadiodoMoreno Estão em baixa com a Dilma neste momento: Sarney, Renan, Geddel, Henrique Alves e o deputado que está me processando.
    Retweeted by am-ludovicensis

    22h am-ludovicensis ? @am_ludovicensis @Dilmabr avisa que aceita negociar, mas sem imposições, e breca votações no Congresso…acabou a “zona de conforto” http://bit.ly/yXnA5a

  3. José Rodrigues disse:

    Deste os primeiros dias no governo, Dilma vem trabalhando notoriamente para reduzir o poder de Sarney na política nacional. Pequenas atitudes tomada pela presidente indicava isso, mas o primeiro “tapa sem luvas” veio com a nomeação de Flávio Dino para a EMBRATUR, justamente o homem que pode tirar os Sarneys do poder em 2014 no Maranhão. Eu já aguardava lances da presidente no tabuleiro político com esse fim, só não esperava que fosse nesse momento onde a economia não vai bem e tende a piorar. Se de fato piorar, Dilma levará uma surra de Sarney e seu bando, pois precisará deles para votações importantes e impopulares no congresso. Acredito que a presidente quer “passar o carro” por cima da sarneyzada, só que esse não é o melhor momento. Ela entrou num jogo muito perigoso, vamos guardemos os próximos lances.

  4. Mike disse:

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  5. CasteloBranco disse:

    Peçonhenta e presunçosa como sempre, ela e o inventor dela bem que poderiam ter explicado tudo isso aos partidos aliados na campanha de 2010,….
    Poderia até ser risco,…. mas seria ético,…… mas ética nunca foi o forte do PT,……

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