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A hora de voltar para casa

Todo rebelde, qualquer rebelde precisa saber reconhecer a hora de voltar para casa. É quando sua revolta começa a ameaçar aqueles que queria proteger ou atingir pessoas que nenhuma culpa têm dos acontecimentos que os motivaram. Não é diferente com a juventude que se manifesta nas ruas do Brasil, agora cercada por extremistas políticos de um lado e arruaceiros e bandidos de outro.

A hora de voltar para casa é quando o ânimo das multidões tende para a violência e os objetivos começam a se diluir no meio de intenções perversas e rasteiras; é quando o grito do rebelde chegou aos ouvidos que ele queria e ele conseguiu acuar o poder que o humilhou. A hora de voltar para casa é quando a rebeldia começa a perder o apoio dos conscientes e só a inconsciência coletiva dita as normas nas ruas; é quando o som que se ouve não é mais de indignação, mas de vidraças e ossos quebrados, de sangue escorrendo.

Voltar para casa deixando todos cientes de que poderá sair de novo, a qualquer momento, com as energias renovadas para combater mais uma vez a degradação dos serviços públicos, a crueldade do Estado e a maldita corrupção. A hora de voltar para casa é quando o rebelde sente que não há mais para onde evoluir, a não ser para a convulsão social que só interessa aos bandidos e ao próprio poder.

A corrupção vai se tornar crime hediondo neste país e vocês conseguiram isso. A saúde e a educação, seja lá como for, vão se tornar, de fato, prioridades da administração pública. E vocês conseguiram isso também. E são conquistas seculares.

A hora de voltar para casa é a hora de isolar os aproveitadores, os baderneiros, as facções políticas criminosas, a polícia violenta; é quando se percebe que as pessoas já querem voltar à rotina de suas vidas, trabalhar, estudar, ganhar o sustento dos filhos; é enquanto ainda se tem toda a sociedade ao nosso lado. E sabendo agora todos nós que poderemos contar com vocês sempre, todas as vezes em que for preciso transformar esse país.

(JM Cunha Santos)

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3 respostas para “A hora de voltar para casa”

  1. JOSE BARROS disse:

    Extremamente coerente, perfeito. Agora que já sabemos o “caminho”, em não sendo cumpridas as promessas dos governos, vamos retornar; sempre que necessário.

  2. CAIO disse:

    O Cunha Santos como sempre muito refinado nos seus textos. Leio-o diariamente.

    Talvez um dos melhores editorialista do seu tempo. Primando pela correção gramatical, esnobando nos trocadilhos e cáustico quando necessário. Parabéns!!!

    Nas análises do mundo político estadual é inigualavelmente o melhor!

    Cunha Santos, não deixe de escrever sempre sobre cotidiano político maranhense. Nós assíduos leitores seus lhe agradeceremos muito.

    Fica como sugestão que você aos domingos publique uma coluna sua no JP versando exclusivamente, sobre assuntos políticos locais.

  3. pericles disse:

    Isso não é texto de CÚnha Santos, ta muito lucido e coerente para ter sido escrito por um imbecil venal do naipe de CÚha Santos.

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