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Alexandre Almeida defende ‘agenda prioritária’ para resolver crise no país

Alexandre Almeida fala de suas propostas como candidato ao Senado

O deputado estadual Alexandre Almeida (PSDB), na condição de candidato a senador, defende que seja criada a Lei da Agenda Prioritária no Congresso Nacional.

Ele argumenta que, em um Congresso onde o povo não é representado, porque não tem poder de lobby pontual e também não tem recurso para pagar propina, é necessária uma lei que determine ao Congresso que os projetos que tem a ver com a melhoria da saúde, educação, segurança pública, enfim, as demandas reais do coletivo, tenham prioridade na agenda de trabalhos parlamentares. Leia a seguir a entrevista concedida ao JP pelo deputado tucano:

Jornal Pequeno – Qual sua análise desta fase atual da campanha, sobretudo para o Senado e o Governo do Maranhão?

Alexandre Almeida – Só existe uma fase na campanha, pelo menos na minha, que é a fase de falar o que precisa ser dito. Eu deixo para os analistas políticos debaterem os cenários das campanhas, eu prefiro me atentar ao fato de que o jeito atual de se fazer política não é capaz de mudar a nossa realidade enquanto povo. Eu acredito em um novo jeito de se fazer política que não tem a ver com partidos, com alianças, com grupos políticos.

JP – O fato de ser ainda pouco conhecido tem atrapalhado sua campanha?

AA – As campanhas começaram e a disputa está aberta. Eu, como o mais jovem candidato ao Senado do Brasil, não sou conhecido em todo o Maranhão. Porém, através da internet, tenho percebido que milhares de pessoas estão se identificando com o que eu digo.

Principalmente, quando falo que essa história de ficar prometendo o futuro para os eleitores é papo furado de político que faz da política a sua profissão. Eu só tenho uma missão: pensar no Maranhão pra já. Ninguém aguenta mais ouvir falar do futuro. Se queremos resultados diferentes, não podemos mais continuar votando igual.

JP – Que avaliação o senhor faz do desempenho de seu mandato na Assembleia Legislativa?

AA – Neste segundo mandato aconteceu algo que me fez despertar para uma nova consciência. Eu entendi, de forma clara, que esse jeito de se fazer política que se você é do partido A ou B, apoia o Fulano ou Ciclano, vai determinar se as demandas das pessoas que você representa serão ou não atendidas. É como se os eleitores também fossem encarados como sendo de oposição.

JP – O que mudou nessa sua compreensão?

AA – Quando eu era considerado da base de apoio do governo, no meu primeiro mandato de deputado estadual, todos os projetos que desenvolvi eram sempre atendidos. Projetos de ensino de música para comunidades carentes, prática de esportes, cultura, enfim, demandas reais de pais, mães e filhos.

Agora que sou considerado de oposição, a ficha caiu. Chega um momento que a gente acorda para a realidade e não tenho problema nenhum em assumir que percebi que essa prática política é a regra de todos os governos e partidos, não há exceções.

Só existe um jeito de acabar com isso: nós precisamos fazer muito mais do que votar e ir para casa. Precisamos cobrar, fiscalizar, incomodar mais quem escolhemos para serem os nossos representantes. Só assim, os problemas que são reais, e precisam de solução hoje, serão entendidos como prioridade.

JP – Que propostas o senhor defende, como candidato ao Senado?

AA – A minha principal proposta é a criação da Lei da Agenda Prioritária no Congresso Nacional. Em um Congresso onde o povo não é representado, porque não tem poder de lobby pontual e também não tem recurso para pagar propina, é necessária uma lei que determine ao Congresso que os projetos que tem a ver com a melhoria da saúde, educação, segurança pública, enfim, as demandas reais do coletivo, tenham prioridade na agenda de trabalhos parlamentares.

Assim, todos os outros projetos que envolvam articulação política, interesses de empreiteiras, sindicatos, bancos, grupos políticos e aumentos de salários só sejam votados depois dessa agenda prioritária, talvez em uma votação mensal. Bom seria se essa lei não fosse necessária. Porém, a conduta dos políticos profissionais que lá estão não nos deixa outra opção.

JP – E esta ideia de combater a profissionalização da política?

AA – Com o objetivo de combater a profissionalização da política precisamos reduzir em um terço a quantidade de deputados e senadores. Além disso, é preciso limitar a reeleição do legislativo para, no máximo, dois mandados para o mesmo cargo e eliminar a reeleição para cargos no executivo.

Uma prova de que a política se transformou em profissão é que hoje podemos ver parlamentares com mais de 30 anos no mesmo cargo. Na prática, fabricamos verdadeiros profissionais da política, gente que vive disso. O que não é bom para a democracia.

JP – E na área econômica?

AA – Uma reforma tributária também é fundamental. Em qualquer país desenvolvido do mundo a carga tributária é maior na renda do que no consumo e no Brasil isso é o oposto. Na prática, toda vez que consumimos um produto no Brasil temos que deixar quase 50% do valor dele em impostos, ou seja, isso acaba com a capacidade de compra das famílias e é a causa central da desigualdade que temos no Brasil e no Maranhão. Porque a carga tributária imposta dessa maneira transfere a renda do pobre e da classe média para o governo, que por sua vez subsidia grandes empresas como a Odebrecth e a JBS enquanto o trabalhador e o pequeno empresário são esquecidos.

JP – E quais são as prioridades?

AA – Transformar a corrupção em crime hediondo, atualizar o Código Penal, Código de Processo Penal e Lei de Execução Penal também são prioridades. No Senado, é preciso exigir de uma vez por todas a aplicação real da política nacional de educação, além de uma mudança radical de como a saúde é tratada no Brasil e, principalmente, como as pessoas que roubam dinheiro da saúde ou aplicam mal os recursos são tratados no Brasil.

Enfim, penso que não podemos mais esperar para amanhã o que precisa ser feito hoje. E vou repetir o que disse na primeira pergunta: se queremos mudanças não podemos mais continuar votando igual.

JP – Qual o significado desta candidatura e quais as suas chances de ser eleito senador?

AA – Essa candidatura significa a possibilidade de viabilizar uma nova consciência em relação à prática política no País. O projeto é ousado, incomoda muita gente. Já quanto a sua viabilidade, vai depender da nossa capacidade, em um tempo muito curto de campanha, de mostrar para a população o quanto a falta de representatividade do Congresso é nociva. Se isso for compreendido, com certeza o projeto será eleito.

Independentemente de eleição ou não, estamos plantando uma semente que pode fazer a diferença. É possível transformar a democracia no Brasil em uma democracia real onde todos nós somos realmente representados. É essa a minha batalha.

JP – O que o povo pode esperar de Alexandre Almeida, senador do Maranhão?

AA – Trabalho incansável para o cumprimento dos objetivos dessa nova consciência. Prometer resultados específicos é demagogia porque, afinal de contas, na democracia um parlamentar sozinho não é capaz de fazer mudanças.

Porém, um parlamentar ficha limpa dedicado à defesa do que importa para as pessoas incomodará sobremaneira a vida dos políticos profissionais corruptos que lá estão. Vejo como uma nova referência para todos os outros bem-intencionados que porventura virão. Precisamos provar que é possível fazer diferente.

JP – Qual sua visão sobre o PSDB no Maranhão e, principalmente, nesta disputa pela sucessão presidencial?

AA – Hoje, no Brasil, o descrédito em relação aos partidos inviabiliza uma análise mais profunda sobre qualquer partido. Até porque, todos eles são vistos como verdadeiros cartórios. Não para menos, há casos de corrupção constatados e comprovados envolvendo quase todos os partidos.

O que eu penso sobre o PSDB no Maranhão é que o partido está disposto a evoluir com mudanças e renovação. A prova disso é que fui convidado para ser senador mesmo tendo 34 anos, não fazendo da política a minha profissão, não vindo de uma família tradicional na política, sendo ficha limpa. Isso demonstra que o partido está disposto a promover uma nova consciência, um novo jeito de se fazer política.

Em relação à sucessão presidencial, o Geraldo Alckmin tem demonstrado, nas ideias e propostas que vem apresentando, que ele compartilha das mesmas opiniões que eu. Ele compartilha das mesmas iniciativas e é isso que importa. Ele também pensa que o Brasil é pra já e vários dos nossos problemas precisam ser resolvidas de maneira urgente. Ele sabe e tem demonstrado que essas ações são possíveis.

JP – Por fim, como a senhor avalia o desempenho dos atuais representantes do Maranhão no Senado Federal?

AA – Como cidadão, quando eu olho para o Senado Federal, eu sinto que preciso de saúde hoje, de educação agora, de segurança pública já. E nós não temos nada disso. Fazendo uma análise sobre a atuação dos parlamentares, especificamente do Maranhão, não só no Senado Federal, mas também na Câmara dos Deputados, eu tenho visto poucos com iniciativas solitárias relevantes. Como eu expliquei anteriormente, o parlamentar sozinho não faz a mudança.

Um exemplo simples, vamos pegar o Projeto das 10 Medidas Contra a Corrupção. Essa foi uma iniciativa desenvolvida através de um trabalho em conjunto entre Ministério Público, integrantes da Polícia Federal e alguns do Congresso Nacional. Ou seja, um grande esforço para apresentar ao Brasil uma série de medidas para tornar a corrupção inviável, transformar o ambiente do Congresso em um local desfavorável para quem pretende se corromper.

Você vê que é uma iniciativa a favor das pessoas. Porém, ainda existe uma maioria mal-intencionada. Um exemplo da má-intenção é o fato de um parlamentar, que por acaso também está concorrendo ao cargo de senador, o deputado Weverton Rocha, que enfiou nesse Projeto das 10 Medidas uma iniciativa que visa a punição dos juízes que condenaram os corruptos.

Ou seja, uma medida que protege a quem tem problema com corrupção, quem é investigado, quem tem medo de se deparar com um juiz. O povo brasileiro não tem esse medo. O povo brasileiro é honesto. Quem tem esse medo é quem cria leis, propostas, emendas como a que ele promoveu.

Então, no Congresso você tem iniciativas de todos os lados e, infelizmente, o esforço dos bem-intencionados ocorre de forma isolada. A prova disso é o fato de o Projeto das 10 Medidas Contra a Corrupção ter sido totalmente desconfigurado durante as votações do seu intuito original. É isso que eu vejo em relação aos parlamentares do Maranhão e também em relação aos demais parlamentares do Brasil no Congresso Nacional. Mas acredito que estamos preparados para um novo ciclo, vamos provar que é possível fazer diferente.

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