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Os caminhos da política

José Reinaldo Tavares

Hoje, no Brasil, vive-se uma fase de demonização da política como se, sem ela, e sem os políticos, qualquer país pudesse ser administrado. A Câmara dos Deputados é o retrato do país, pois ali tem representantes de todos os estados e de diversas categorias sociais. É um espelho da sociedade. E tem muita gente boa no Parlamento, na verdade, tem de tudo. E são todos escolhidos pelo voto. Espero que esse clima não afaste os jovens talentosos da política e nem aqueles que podem dar uma contribuição nesse quadro difícil da vida brasileira.

A França acaba de dar uma lição ao mundo. O país estava estagnado e dominado pela velha política, cheio de problemas complexos, paralisado e sem iniciativa. Mas, escolheu a política para reencontrar seu lugar no mundo. Emmanuel Macron, pediu que a população desse uma ampla maioria parlamentar para aprovar suas reformas nos próximos cinco anos e foi atendido. Criou um partido novo o República em Frente que elegeu 308 deputados entre ao 577 e junto com o MoDem tem 361.

Os socialistas cansaram com seu discurso contra a modernização do país e foram dizimados pelo voto. Os socialistas, Ecologistas e Republicanos tinham 284 deputados e ficaram reduzidos a 46, os socialistas com apenas 29. As mulheres que somavam em 1958 apenas 1,8% do Parlamento hoje são 40%. Um crescimento vigoroso e bem vindo. A segunda força ficou com os conservadores dos Republicanos, UDI e Divers Droit.

Entre as maiores prioridades está a renovação das leis trabalhistas, como está sendo feito aqui, com grande gritaria do pessoal que nos quer ver amarrados em um passado sem retorno. E aqui? Eu não comungo com o pessimismo que tira as esperanças de tanta gente. Acredito que dentro de 30 a 40 dias, após a denúncia contra o presidente chegar a Câmara, seja qual for o desfecho dela, com o presidente Temer ficando ou não, haverá uma grande movimentação partidária e política, com enorme possibilidade de transformar a vida política brasileira, até com novos protagonistas.

Existe uma realidade crescente na vida das pessoas a de que a inovação e a tecnologia mudarão o mundo, o trabalho, o emprego, a formação das pessoas e isso, na verdade, já está acontecendo, cada vez com mais velocidade, e é um fenômeno global. Corporativismo e ideologias perderão espaço face ao desafio que se impõe. Milhões de desempregados que mesmo com o crescimento terão dificuldades de relocação nas mesmas atividades que estão capacitados são enormes desafios que ninguém, nenhum partido, estuda ou debate com profundidade, procurando compreender e encontrar soluções.

Esse é só um exemplo do que acontece hoje. O Brasil precisa ter uma agenda moderna, a velha agenda, como mostrou a França, está obsoleta em múltiplos aspectos e certamente essa nova agenda será central em futuro próximo.

Para ilustrar, na internet encontra-se uma ilustração dessa nova situação com a história da Kodak, uma potência da área da imagem, da fotografia, com mais de 170 mil empregados e faturamento de bilhões que foi varrida em pouquíssimos anos com o advento da fotografia digital e das fotografias por celular. Muitos vaticinam que as grandes empresas que dominam a área digital, como Amazon, Google, Apple, dominarão no futuro muito próximo, enormes áreas de produção e serviços como a de veículos sem motoristas, elétricos, desalojando as grandes indústrias do setor, e desempregando motoristas e cobradores.

A Amazon comprou recentemente uma das maiores empresas de supermercados dos EUA e vai começar uma revolução com uma nova configuração sem caixas ou atendentes. Por outro lado existem pensadores como o empresário Peter Diamandis, cofundador da Singularity University, Tecnologia do Vale do Silício, que diz que o emprego vai desaparecer, tudo ficará mais barato, a energia, alimentos, a vida em si. Todos receberiam uma renda mínima que daria para viver. Aqueles que quisessem participar da pesquisa e desenvolvendo trabalhos fariam isso por satisfação pessoal e não para sobreviverem.

Se será assim, não sei. O que sei é que precisamos debater o que vem por aí e procurar defender as pessoas da exclusão social, defendendo as pequenas e micro empresas, os profissionais liberais, os jovens empreendedores, a nova educação e a ocupação dos idosos, entre outros assuntos pertinentes. Acredito que neste ano surgirão partidos com esse novo ideário mais compatível com o que vem por aí. A lição da França é um farol, com um forte alerta aos navegantes.

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