O ex-presidente José Sarney (PMDB-AL) e senador Renan Calheiros (PMDB-AL), dois dos caciques peemedebistas atingidos pela Operação Lava Jato, já têm data e hora para o primeiro contato com o juiz federal Sérgio Moro.

Sarney vai depor como testemunha de defesa do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, às 9h30 do dia 8 de março, por videoconferência de Brasília. Assim como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, José Sarney deve ser indagado pelos advogados de Okamotto a respeito do armazenamento dos objetos que acumulou durante seus cinco anos no Planalto.

Além de possivelmente Sarney ter seu nome citado nas delações da Odebrecht que listam pagamento de propina, o ministro Edson Fachin, novo relator da Operação Lava Jato no STF, determinou abertura de inquérito para investigá-lo. Ao pedir autorização do STF para a instauração de inquérito destinado a apurar o crime de embaraço à Operação Lava Jato, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot se refere ao grupo formado por Sarney como ‘quadrilha’ e ‘organização criminosa’. Em delação premiada o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado revelou que Sarney recebeu propina de contratos da Transpetro durante nove anos, no valor total de R$ 18,5 milhões.

Já Renan Calheiros, alvo de nove inquéritos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), foi arrolado como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ação penal em que o petista é réu pela suposta posse de um tríplex no Guarujá (SP), construído e reformado pela OAS, além da manutenção de seu acervo presidencial pela empreiteira. O líder do PMDB no Senado falará a Moro também por videoconferência na Justiça Federal do Distrito Federal no dia 15 de março, às 11h.