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Advogado preso na Lava Jato queria expandir negócios no Maranhão

Por Lilian Tahan e Ana Helena Paixão

Personagem brasiliense preso na operação deflagrada pela Polícia Federal nesta última quinta-feira (18/5), o advogado Willer Tomaz de Souza é de origem humilde e alcançou ascensão meteórica em nove anos de advocacia. Para defender os interesses do grupo empresarial JBS, ele teria vendido influência e cobrado R$ 8 milhões em honorários de Joesley e Wesley Batista. Nos depoimentos que serviram de base para a prisão preventiva de Willer, Joesley expõe que o advogado pediu mesada de R$ 50 mil para comprar informações privilegiadas de um procurador integrante da Lava Jato.

Em menos de uma década de atuação nos mais variados ramos do direito, Willer acumulou uma notável carteira de clientes, a maioria deles políticos. Lançou-se também do mundo dos negócios e, recentemente, como empresário de mídia. Ele arrendou quatro rádios que pertencem ao ex-vice-governador do DF Paulo Octávio, de quem se aproximou no último ano.

Além da investida em Brasília, Willer vinha se dedicando também a um projeto para expandir sua atuação no ramo das comunicações no Maranhão. Participava das negociações do Sistema Difusora no Maranhão, que reúne TV e rádio na capital São Luís, além de emissoras pelo interior.

A proeminente carreira do advogado nascido e criado em Taguatinga (DF), no entanto, sofreu um revés na última quinta-feira (18/5), quando ele foi preso em um hotel na orla da capital maranhense. No Inquérito nº 4.489, que reúne a delação dos irmãos Batista, há um anexo robusto detalhando a atuação de Willer no esquema de corrupção revelado por Joesley aos procuradores da Lava Jato.

O relato do dono da JBS ajuda a explicar a anabolizada carreira de Willer no mundo jurídico e empresarial. A partir da delação que abalou a República desde as últimas 48 horas, ficou demonstrado que Willer conquistava seus clientes vendendo tráfico de influência.

Começo em Taguatinga
Antes de transitar com desenvoltura nos corredores do poder, Willer tocava um modesto empreendimento em Taguatinga, a Willer Informática, aberta em 1999, na comercial do Setor D Sul da cidade. Mas o negócio acabou quebrando e ele partiu para uma segunda opção. Decidiu estudar direito para se formar advogado.

Enquanto frequentava a faculdade, passou a ter participação em mais duas empresas: a WT Administração de Imóveis, aberta em 2002 na QSF 15 de Taguatinga, e a Canal de Ideias Comunicação, Serviços e Participações Ltda, criada em 2007 no setor Octogonal. Todas firmas seguem ativas na Receita Federal. Mas a maior aposta de Willer foi o escritório de advocacia que ele montou, a Willer Tomaz Advogados Associados, inaugurado após dois anos de exercício profissional.

Aberto em 2010, o escritório de advocacia nasceu em berço de ouro. A sede funciona em luxuosa casa no Conjunto 4 da Q1 do Lago Sul. É o mesmo imóvel que abrigou a “República de Ribeirão” – em referência ao ministro da Fazenda do primeiro governo Lula, Antônio Palocci, ex-prefeito do município paulista, hoje preso no âmbito da Lava Jato. Segundo as denúncias do Mensalão, seria ali que integrantes do governo negociavam e confraternizavam com lobistas em festas animadas por garotas de programa.

Além de Brasília, a Willer Tomaz Advogados Associados também mantém outro escritório de alto padrão, na Enseada do Suá, em Vitória (ES). E o seu dono, registro da OAB nas seções DF e Ceará. Colegas do advogado dizem que seu rol de clientes lhe proporciona uma vida de luxo: hoje ele mora com a família em uma confortável casa do Lago Sul e mantém um rancho no Lago Oeste. Willer é rotineiramente visto por Brasília dirigindo carros caríssimos.

Treze profissionais e um estagiário trabalham na Willer Tomaz Advogados Associados. Há dois meses, a advogada Gabriela Benfica foi contratada por Willer para atuar em um processo de improbidade administrativa movido contra o ex-deputado estadual Sérgio Borges (PMDB-ES), atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Espírito Santo. Ela foi apresentada a Willer por Paulo Octávio, a quem Gabriela defende nos processos da Caixa de Pandora, operação na qual o ex-vice-governador responde a 10 ações criminais.

A relação entre Willer e o empresário brasiliense consolidou-se em torno da operação de arrendamento das rádios pertencentes ao ex-vice-governador. Para tocar o negócio, o advogado uniu-se a Anderson Carlos Silva, ex-dirigente da Rádio Clube FM considerado um experiente executivo do meio. Os sócios administram a JK FM, a versão local da rádio paulista Mix FM e duas emissoras AM, sendo uma retransmissora da Rádio Globo e a outra, da própria JK.

Além dos negócios de mídia na capital federal, o advogado estaria participando das transações de venda do Sistema Difusora de Comunicação. Willer seria o intermediador de recursos financeiros para a compra do conglomerado. O acerto envolveria o empresário Edson Lobão Filho, suplente e filho do senador e ex-ministro das Minas e Energias (2008 a 2010) Edson Lobão (PMDB-MA), e o deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA). Lobão Filho era o dono do grupo e Weverton, que já foi representado na Justiça Eleitoral por Willer, pretendia assumir as empresas. O negócio não foi concluído por pendências judiciais.

No mesmo depoimento aos procuradores da Lava Jato, o dono da JBS também contou que Willer se cacifava como advogado alegando proximidade com o juiz substituto da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília Ricardo Soares Leite, onde tramitam ações referentes à Operação Greenfield. O relato de Joesley e de um de seus assessores mais próximos, o advogado Francisco de Assis e Silva, ainda atinge um outro expoente da advocacia brasiliense, o presidente da OAB-DF, Juliano Costa Couto. Segundo Francisco de Assis, Juliano teria intermediado a indicação de Willer para Joesley em troca de um terço dos honorários acertados por Willer. Costa Couto admite a indicação do colega, mas nega que tenha cometido qualquer irregularidade no episódio.

Em abril de 2016, Willer estava entre os 90 profissionais que receberam a maior distinção concedida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), a Ordem do Mérito Judiciário. Com oito anos de advocacia na época, o jovem advogado presidia a Comissão de Assuntos Constitucionais da seção DF da Ordem dos Advogados do Brasil. Durante a solenidade, posou sorridente para os fotógrafos com o distintivo do TJDFT no peito estufado, uma honraria pelos serviços prestados à Justiça do DF. Agora investiga-se que, nos bastidores, Willer vendia a seus clientes o prestígio de desfrutar do convívio com empresários, juízes e procuradores.

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12 respostas para “Advogado preso na Lava Jato queria expandir negócios no Maranhão”

  1. Mandioca disse:

    Faltou dizer que esse advogadozinho de merda é ou era advogado de Flávio Dino.
    Faltou dizer também que A TV Difusora era comandado pela turma de Weverton Rocha,deputado federal e homem da extrema confiança de Flávio Dino. A TV Difusora faturou/fatura os TUBOS do Governo de Flávio Dino.
    Agora fica só um alerta: O Bostel é de Brasília, mesma cidade que é sede da “empresa” que está comprando os Ferry Boats e que vão “explorar” os serviços de travessia da Ponta da Madeira para Cujupe.
    Aliás, a turma de Brasília é a mesma de quando Dino foi presidente da Embratur.
    Eu não tenho bandidos de estimação, e tu John, tens?

  2. Ribrasmar disse:

    Meu caro John, por favor, publica aquela foto do traíra Sarney votando no Aécio na eleição passada.

  3. Meu caro John, por favor, publica aquela foto do traíra Sarney votando no Aécio na eleição passada.

  4. Mandioca disse:

    Meu caro John, publica aquela foto de Flávio Dino abraçando Aécio Neves em 2014 firmando a parceria PC do B com o PSDB. A foto é muito bonita com Flávio Dino dando um abraço muito fraterno ( Jerry quase morre ) em Aécio ao lado de Castelo, Evangelista, Madeira e Brandão que CONTINUA no PSDB e é Vice de Flávio Dino.
    Caso não tenhas nos teus arquivos, copia do blogue do Gilberto Leda já que foi postada naquele blogue no dia de ontem.

  5. Francisco Assis disse:

    Willer Tomaz dono da Infosolo empresa de TI de Brasília, ganhou um contrato milionário no Detran Maranhao, mais de 2,5 milhões por mês de faturamento, SEM LICITAÇÃO, até taxa “preço público” foi criada pela Direção do Detran e seu garoto o advogado do Detran Dr. Roricio, que também atendia em Brasília no escritório de Willer, acho que Flavio Dino foi pro espaço e o irmão dele que se livre desse pessoal pra não ir junto….,

  6. Bertolina disse:

    Agora danou-se, tá explicado como essa ascensão meteórica fez esse rapaz em tão pouco tempo ficar rico e comprar junto com seu Weverton Rocha a Difusora, aliás seu weverton também teve uma ascensão meteórica nao foi, John?

  7. júnior disse:

    Você suprimiu a parte do texto que menciona a suspeita de participação de Flávio Dino na compra da emissora.

  8. Jk disse:

    A classe política estão achando que todo mundo é cego ou idiotas, que não vão ver isso, mas seguem o adagasio do chefe supremo, não viu nada, não sabe de nada.

  9. Jk disse:

    Não é a toa esse Everton Rocha defendia a máfia que saiu do poder, pois ele sabia que a outra máfia não tem poder pra segurar nem eles mesmos.

  10. julio disse:

    Também esqueceram de dizer que tanto o advogado quanto o deputado são “laranjas” do gordinho arrogante, prepotente, aprendiz de ditador, que adora aquele personagem do desenho que é perseguido por um gato.

  11. jonas vacquer disse:

    “UMA COISA PELO MENOS O POVO APRENDEU COM ESTE EPISÓDIO. LULA NÃO É O DONO DA FRIBOI, COMO TANTA GENTE SIMPLES, VÍTIMA DA LAVAGEM CEREBRAL, ACREDITAVA ATÉ A SEMANA PASSADA.”
    POR TEREZA CRUVINEL

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