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Universidade pública gratuita para todos?

Por Edson Travassos Vidigal

 

Esta semana, Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central e atual coordenador do programa econômico do pré-candidato à presidência da República do Partido Novo) defendeu o fim da gratuidade do ensino universitário para famílias de alta renda. Disse não ver justificativa para que o ensino superior não seja pago pelo que chamou de “uma burguesia endinheirada”.

Não obstante me parecer ideia visando exclusivamente a diminuição de gastos públicos sob a máscara de política pública populista de esquerda com fins de promoção de igualdade social e defesa de direitos de minorias, resolvi usar o “causo” como pretexto para expor ideias antigas minhas sobre o tema.

Discordo veementemente da solução de Gustavo Franco, bem como de qualquer proposição que a pretexto de inclusão apenas sirva para mais exclusão e mais cisão social.

Tenho proposta talvez mais radical e polêmica à primeira vista, mas que penso ser mais eficaz para a resolução de inúmeros problemas inerentes à questão.

Sempre defendi o fim da gratuidade das universidades públicas para todos, independentemente de classe social.

Penso que quem estuda em universidade pública deve custear seus estudos, seja por meio de uma carência para o pagamento dos custos (a serem pagos depois de um tempo de formado), seja por meio de prestação de serviço à sociedade (durante o curso e/ou depois de formado).

E mais: penso que quem larga o curso ou não cumpre metas razoáveis de prazo para se formar deveria ressarcir os custos a que deu causa.

Essas medidas iriam afastar da universidade os estudantes que não são o seu verdadeiro público por vocação. E garantir sustentabilidade ao sistema de ensino superior, que não pode ser apenas um poço sem fundo de despesas sem qualquer retorno à sociedade, como muito tem sido.

Além disso, nunca investiria nem um centavo em universidades públicas enquanto o ensino fundamental não tivesse recursos para estar completamente estruturado, de qualidade verdadeira, extinguindo o analfabetismo técnico e político, com plenitude de vagas a todos os brasileiros.

Para acabar com os desnivelamentos e desigualdades sociais, precisamos é priorizar a educação básica. Dar realmente as mesmas chances para todos os indivíduos, independente de classe econômica. Só isso garante tanto a mobilidade social quanto a evolução da nação e do país.

O problema é que isso não rende votos. O que elege é ficar enganando a população distribuindo diplomas de graduação e pós-graduaçao sem que exista qualidade nenhuma em tais “aquisiçōes”.

Coisa pra inglês ver. Recurso público que sai de nossos bolsos pra ser jogado no lixo, transformado em pedaços inúteis de papel pendurados nas paredes de muitos que mal sabem falar ou ler direito, mas se contentam em serem chamados de doutor. Mesmo que estejam depois nos sinais de trânsito pedindo esmolas reclamando da situação (porque achavam que um diploma seria garantia de emprego).

No mundo material existem recursos limitados. E com limitações são necessárias escolhas, priorizações. E entre gastar dinheiro com graduações e pós-graduações de uma minoria afortunada (seja por ter tido dinheiro para pagar cursos preparatórios e ensino básico de qualidade, seja por ter chegado na universidade por meio das populistas e enganadoras “cotas”), ou usar tais recursos para tentar exterminar verdadeiramente o analfabetismo técnico, cultural, filosófico, político, fico com a segunda opção.

A priorização do ensino básico é o único meio pelo qual as pessoas poderão se libertar verdadeiramente das amarras socio-econômicas e lutar com condições iguais, ou muito mais próximas, pela sua felicidade.

Precisamos lutar por alcançar um ensino básico integral de qualidade, com plenitude de vagas e de eficácia.

Nenhum país sério investe em gratuidade de universidade pública sem ter alcançado antes esse primeiro objetivo. Ninguém consegue correr sem aprender antes a ficar em pé…

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