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O maior mal atual de nosso país é a falta de educação!

Por Edson Travassos Vidigal

Edson Travassos Vidigal

 

A educação é a base primordial de uma sociedade. Sem ela, é impossível viver em grupo. E não falo só de educação técnica, da que o Estado nos impõe na obrigatoriedade legal de se frequentar escolas, ou da que adquirimos com vistas a nos capacitarmos para o desempenho de uma profissão, seja de nível técnico ou de nível superior. Essa educação é muito necessária para o desenvolvimento social, mas não é a mais importante, a mais essencial.

Chamo a atenção para a educação básica de um indivíduo enquanto membro de uma coletividade. A educação que leva um “ser vivo” a vir a ser um “ser humano”. A fazer parte do que chamamos de humanidade.

Quem cria cães sabe muito bem que quando uma cadela tem crias, os filhotinhos precisam passar por um período mínimo de uns 3 meses se socializando com os demais filhotes, com os pais, para aprenderem a se comunicar entre eles, aprenderem a se portar em matilha, em grupo. Nesse período eles levam uns puxões de orelha dos pais quando fazem algo que não devem fazer, aprendem a se comunicar com o corpo, com os latidos, aprendem a respeitar a hierarquia, e aprendem que cada um tem uma função no grupo, a partir de suas capacidades e características individuais. Em suma, eles aprendem a ser cães, dentro do universo dos cães. Quem cria cães sabe que, se retiramos os filhotes do convívio dos pais e irmãos antes desse tempo, eles acabam tendo grandes chances de se tornarem desajustados, de difícil trato, causadores de confusão.

Da mesma forma acontece com todas as demais espécies animais que vivem em grupo. E não seria diferente com o Homem. Cabe aos pais ensina-los, desde que nascem, os códigos necessários ao convívio humano: como falar, como andar, como se portar; o que é desejável e o que não é. Cabe ensinar boas maneiras, a educação formal básica: dizer “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”; dizer “por favor”, “obrigado”; ceder o lugar para os mais velhos, para as mulheres; ser gentil, delicado, ter bons modos à mesa, em uma reunião, enfim, ter a educação básica necessária a um convívio humano civilizado, ou seja, agradável e realizador de um desenvolvimento de todos os indivíduos de uma coletividade.

Atualmente esses pequenos gestos parecem, aos olhos da maioria, grandes futilidades, “frescuras” antiquadas desnecessárias e pedantes. Algumas mulheres até se ofendem ao receber gentilezas (verdadeiro absurdo fruto de um desvirtuamento tosco causado por falta de conhecimento e entendimento mínimo sobre o verdadeiro feminismo, que teve e sempre terá papel importante no desenvolvimento de nossa sociedade). É muito triste ver o estado em que se encontra nossa sociedade atualmente. Todos muito mal educados. Cada um por si e Deus contra todos, como diria o outro. Andamos pelas ruas e nossos iguais agem como bichos não civilizados. Não existe cortesias, gentilezas. Não existe compaixão, ou tampouco um mínimo de dignidade nas ações da maioria para com os demais.

Vivemos atualmente um individualismo mesquinho e preocupante que é muito fruto da falta de educação básica, que deveria ser dada pelos pais na infância, que aos poucos foi sendo delegada aos colégios, e que atualmente foi relegada à televisão e seus programas idiotizantes. Programas que buscam, não a formação social (como deveriam, a teor do que prevê nossa Constituição Federal), mas o puro lucro financeiro, que depende de audiência, e para tanto recorre ao que possa ser mais tosco, apelativo, grotesco, animal, não civilizado. Apela ao nosso lado não humano, a nossos instintos básicos, à nossa condição natural, anterior à civilização e à busca de desenvolvimento de um grupo coeso chamado de “humanidade”.

Sem educação moral, não existem bases para a manutenção da sociedade. Ao invés de cidadãos, de seres humanos, crescem em nossa sociedade desajustados, indivíduos que desconhecem a verdadeira acepção da palavra “pessoa”. A educação moral é necessária para que os indivíduos entendam a necessidade de limites à própria vontade, e à própria ação. O respeito é justamente isso: a compreensão de que na convivência mútua nos mesmos espaços é sempre necessária a visão dos limites de cada um. O entendimento de que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade dos demais. Ou seja, que para que os demais respeitem o seu espaço, a sua vida, a sua busca por sua felicidade (seja lá o que isso possa ser para cada um), é necessário que cada um de nós respeite tudo isso dos demais. Simples assim.

Mas isso tudo, apesar de ser absolutamente lógico (e, como bem disse John Locke, a razão é algo que foi distribuída de forma igual a todos, e por isso a lei natural – que no fundo é a razão – é também inata e comum a todos), precisa ser exercitado para que vire realidade.

Como bem disse David Hume (outro filósofo empirista), da repetição surge o hábito, e do hábito surge a crença. Da crença surgem as verdades que conduzem as nossas ações. Sempre tive para mim o seguinte conceito de “vício” (que formulei durante meu curso de filosofia na UFMA): Vício é um hábito que temos mesmo percebendo que ele nos faz mal.

O mundo é um espelho de nossas ações. Reflete cada uma delas, e nos devolve, de um jeito ou de outro, mais cedo ou mais tarde, a colheita do que plantamos. Por isso, é sempre bom começar o dia desejando aos demais um sorridente “Bom dia!”. Muito obrigado pela atenção de vocês. São todos muito gentis. Que todos tenham uma ótima semana.

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