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Diploma em 60 prestações

 

Por Edson Vidigal

 

 

Outro dia, infelizmente, ouvi de um aluno, com profunda tristeza e indignação, que este estava pagando por um produto: o conhecimento. Algo dito em alto e bom tom, com absoluta convicção.

Fico muito triste pela mentalidade que restou consagrada nos bancos acadêmicos de um tempo onde se pensa que o conhecimento é um produto, e que este pode ser comprado.

Na verdade, há muito, muito tempo atrás, em uma galáxia muito, muito distante, esta quase poderia ter sido uma máxima sofista. Foram os sofistas gregos que advogaram ser o conhecimento nada mais que a arte de convencer, a exemplo de Protágoras, que dizia ser o homem a medida de todas as coisas. Eles foram os primeiros professores profissionais da História ocidental, pois cobravam para ensinar tal arte. Mas mesmo eles não vendiam conhecimento. (Platão em alguns de seus diálogos iria além na polêmica aqui tratada, questionando: A verdade pode ser ensinada?)

Por mais que não concorde com tal visão sofística do conhecimento, acrescento que a sofística daquele tempo era feita com argumentos válidos, frutos de profunda reflexão e de árduo trabalho de pesquisa, de leitura, de pensamento, de discussões dialéticas e de construção de conhecimento. De preparo e dedicação a uma causa na qual acreditavam.

Muito pior que aquela, a nova sofística é oca, vazia de tudo, alienada, desprovida de razão, de estudo, de preparo. Desprovida de conteúdo e, principalmente, de valores.

Uma sofística que acredita que tudo pode ser vendido, ou comprado.

Cabe ponderar que o conhecimento não é algo independente do sujeito. Não se pode simplesmente abrir uma embalagem bem transada de conhecimento e ingeri-lo aos goles. Ainda não inventaram a pílula do conhecimento.

O conhecimento não se vende, não se compra. Não é produto alienável.

É fruto de uma relação entre um sujeito que quer conhecer e um objeto que pode (ou não) ser conhecido.

Nenhum professor, nem ninguém, consegue abrir a cabeça de um aluno e enfiar nela conhecimento. Nenhuma faculdade consegue isso, e nenhuma faculdade pode vender um produto chamado conhecimento.

As instituições de ensino vendem, sim, um serviço. O serviço de propiciar aos alunos o contato com o conhecimento produzido por outros. O serviço de tentar expô-los a métodos que podem levar o próprio aluno a encontrar o seu conhecimento. Ou, como entendo, que possa levá-lo a construir o seu conhecimento.

O processo de construção de conhecimento é árduo, cansativo, difícil, lento e arriscado. E o pior de tudo é que ninguém pode trilhar esse caminho pelo aluno. O máximo que se pode fazer é pegá-lo pela mão e conduzi-lo por entre as veredas do conhecimento, por caminhos que você já seguiu e que já conhece um pouco mais que ele.

Poucos alunos atualmente estão dispostos a seguir por este caminho na busca de construírem o seu conhecimento. A grande maioria prefere acreditar que simplesmente se pode pagar por um produto.

E isso tudo em apenas 60 prestações.

A pior mentira é aquela que contamos a nós mesmos…

O conteúdo deste blog é livre e seus editores não têm ressalvas na reprodução do conteúdo em outros canais, desde que dados os devidos créditos.

Uma resposta para “Diploma em 60 prestações”

  1. antonio muniz disse:

    E o conhecimento onde fica?
    É verdade que “Escolas maranhenses deveriam ter vergonha de “boa colocação” no ranking do ENEM”!O problema da Educação em nosso País e em especial em nosso “Estado”, advêm de dois grandes problemas: Primeira causa é causado pela má gestão e segunda, e a falta de formação adequada que n´s professores em sua grande maioria somos vítimas. Acontece que o ato de Educar , requer uma série de partidas e contra partidas que infelizmente o governo estadual não disponibiliza para que façamos uma educação que promova a inserção de nossas crianças e nossos jovens no rol daquelas que estejam de fato preparadas para que tenham um desempenho superior ao que nossas criança e nossos jovens demonstraram nessa edição do ENEN.Temos fraturas expostas, que infelizmente ficam engessadas na burocracia palaciana, quer seja “Aqui quer seja em Brasília”. O governo brasileiro em todas as suas instâncias de poder. Nossas autoridades são super estimuladas por números, tais como : 98% de todas as nossas crianças estão nas escolas, 75% de todos os professores concluíram ou estão concluindo um curso formação acadêmica…Sendo professor , reconheço que a grande maioria de todos aqueles que estão em salas de aulas, são oriundo dos cursos de “Licenciatura”, e com raras exceções, adquirem formação, mas a qualificação desses profissionais _infelizmente_tenho que admitir não adquiriram a qualificação necessária para uma boa “Prática Docente”. É fácil colocar em nossos ombros , todas as mazelas pelo fracasso da Educação , principalmente a educação de massa, denominada pública.Mas Linhares como podemos ser responsabilizado pela inércia,ineficácia e desleixo da educação se o que se passa como a educação está na Gestão da coisa pública.Agora mesmo,a presidente Dilma cria o programa Pátria Educadora, e nosso governador lança o programa “Escola Digna” acreditando eles que um Slogan tem força para modificar uma realidade que todos conhecemos.Sou servidor deste estado a quase 35 anos, e se você visitar as duas únicas edificações “Intituladas Escola do estado” em Monção, logo verá que com as instalações que temos não podemos tratar a educação como sendo uma prioridade.Não estou dizendo com isso que o governador não tenha boas intenções, mas o que estou dizendo é que como o aparato carcomido que temos, jamais obteremos a mudança na qualidade da educação de nosso Estado.Os problemas estruturais que afetam nosso sistema de educação estão centrados na falta de mão de obra qualificada, fora da área docente…Na “Escola J.Amaral, e no quase centenário Dr.Getúlio Vargas”, não temos cozinheiras, merendeiras, operacionais, vigias e apenas dois servidores que fazem serviços burocráticos. Esse é retrato da educação em nosso Estado, em nossos municípios e agora as “Escolas Privadas”,que deveriam ser um ninho de “Excelência,Demonstra que também Ela” é afetada pelo desrespeito aos direitos fundamentais daqueles Pais que acreditam fora das Escolas Públicas”_com todas as suas mazelas_,terá uma educação diferenciada, sente-se exaustivamente lesado e humilhado com essa situação.Que o Maranhão tem tido péssimos desempenho em quase todos os indicadores sociais todos nós sabemos, mas, essa é uma luz acesa como advertência de que Slogans , são propagandas, e o queremos sim, são ações concretas, mesmo que para isso o ministério público,tenha que fiscalizar os agentes encarregados na prestação do serviço público essenciais e educar e educar bem não pode ser opção mas um dever e um direito

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